Muitas vezes alunos me questionam o motivo de fazer o que fazemos com o corpo na prática de yoga. Por quê esticar, torcer, flexionar para frente, dobrar para trás, inverter, levar os olhos para lugares específicos, fazer gestos com as mãos…Quando a curiosidade bate, o praticante deve perguntar ao professor pois, o yoga tem uma parte teórica vasta que complementa-se com a parte prática. Inclusive, é dito que o que fazemos no tapete “é uma pontinha do iceberg”. A movimentação física definitivamente não é em vão.
Inicialmente, a prática corporal tem como intuito despertar a atenção plena através de uma ferramenta extremamente inteligente e sensível que nos acompanha a cada segundo: o corpo. Desta forma, não há nada mais genuíno em nós mesmos para gerar conexão. O passado de um físico mais musculoso ou o futuro de um físico mais magro estão na memória ou em projeções. Para um corpo saudável só existe o agora.
Quando fazemos as posturas de yoga e permanecemos na mesma respirando conscientemente manipulamos os canais energéticos para o prana, a energia vital, passar e circular. Na anatomia sutil do yoga, cada asana (postura) tem a capacidade de despertar um centro de energia, conhecido como chakra. Cada chakra tem ligação direta com uma parte do corpo físico, com um órgão de sentido, com órgãos internos, com glândulas endócrinas, com sistemas corporais e com padrões mentais e emocionais.
Um corpo sem energia vital pode gerar inúmeras enfermidades e descompensações. Na visão indiana, a maioria das doenças, senão todas ocorrem por falta de energia vital em nossas nadis (canais energéticos), que por sinal são mais de 70 mil espalhados pelo corpo. Quando estes canais encontram-se embotados, os corpos energético e consequentemente corporal vão adoecendo.
Atualmente o vício comportamental da hiper conectividade tem defasado brutalmente a conexão corporal e mental. Distração em excesso, sobrecarga de dopamina, ansiedade, cansaço crônico, atitudes automatizadas e sedentárias, anestesia dos sentidos, entre outros, são sinais de que o corpo merece mais consciência. Funcionamos como uma orquestra que busca a todo momento a homeostase (o equilíbrio) para manter-se em vida. Contudo, o Yoga vai além ao dizer que não basta viver bem, podemos e devemos viver plenamente e este caminho inicia pelo corpo como ferramenta viva de autoconhecimento.
Texto: Renata Meire
