
Deepak Chopra, indiano radicado nos EUA, médico endocrinologista, professor de Yoga e Ayurveda, escreveu em 1994 o livro As Sete Leis Espirituais do Yoga em parceria com David Simon. A obra busca ser um guia prático de sucesso, a começar pela cura corporal, mental e espiritual, tríade fundamental para a busca individual no autoconhecimento.
A primeira lei desenvolvida é da Potencialidade Pura, onde é lembrado que em essência somos consciência pura. Este conhecimento é revelado na cultura védica há milhares de anos. Inclusive, quando o professor de yoga inicia esta abordagem durante a aula, pode gerar confusão, mas, à medida que o praticante se mantém em contato com a prática de yoga com regularidade, o entendimento é internalizado.
A esfera da potencialidade pura é a sede do conhecimento, da intuição, do equilíbrio, da harmonia e da bem-aventurança. Apesar de dar origem aos pensamentos, sentimentos e ações, ela permanece imperturbada. Reconhecer a natureza da essência nos liberta da ignorância e do sofrimento.
A consciência citada na lei da Potencialidade Pura é o verdadeiro eu: “ A experiência do eu, ou auto-referência, significa que o seu ponto de referência interno é sua alma e não os objetos da sua experiência. O oposto da auto-referência é a referência ao objeto. Nesta última, você é influenciado pelo que está acontecendo fora do Eu, o que inclui situações, circunstâncias, pessoas e coisas”.
Segundo os autores da obra, para acessar a Lei da Potencialidade Pura é preciso praticar o silêncio, o não julgamento e ter contato com a natureza.
- Cultive a quietude no corpo e na mente. Entre as posturas e entre os movimentos, leve a atenção para a quietude dentro de você. Após executar a sua série de posturas iogues, sente-se sozinho e medite em silêncio durante aproximadamente vinte minutos. Ao aquietar a mente na meditação, você aprenderá a experimentar diretamente o campo da consciência pura, onde tudo está inseparavelmente conectado a tudo mais.
- Durante as posturas e no decorrer do dia, exercite-se mudando para o modo de consciência da testemunha. Observe a atividade dinâmica do mundo a partir da quietude interior da sua alma. Reserve alguns momentos todos os dias para comungar com a natureza e observe em silêncio a inteligência no interior de cada coisa viva. Assista ao pôr do sol, escute o som do oceano ou de um riacho ou simplesmente aspire o perfume de uma flor. A partir da paz do seu silêncio interior e por meio da sua comunhão com a natureza, você sentirá alegria e admiração pelo eterno movimento da vida em tudo que ela manifesta.
- Pratique o não- julgamento. Enquanto executar as posturas de ioga, abandone a necessidade de julgar as suas habilidades. Comece cada sessão com a seguinte declaração: “Hoje não julgarei nada que acontecer”, e lembre-se de que a auto-aceitação é a origem e o objetivo do ioga. Quando está constantemente fazendo julgamentos, inclusive no que tange a você, com relação ao fato de as coisas estarem certas ou erradas, serem boas ou más. você cria uma turbulência no seu diálogo interior, o qual contrai o fluxo de energia entre você e o campo da potencialidade pura. O não-julgamento cultiva o silêncio na mente, o que lhe confere um acesso direto ao campo da potencialidade pura.
É nítido que as posturas de ioga são importantes e tem sua funcionalidade, mas por trás de cada uma existem grandes intenções que encaminham o praticante para estados elevados de autoconhecimento. A Lei da Potencialidade Pura é uma delas. Geralmente deve ser aplicada aos domingos e tem o mantra Om Bavam Namah- Eu Sou Existência Absoluta- como referência vibracional.
Texto: Renata Meire
