Prana: a energia vital como meio de autoconhecimento e cura

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A neurociência já comprovou os benefícios da respiração consciente no funcionamento cerebral/emocional, na ativação do sistema nervoso parassimpático e consequentemente na auto regulação do corpo como um todo. Já no Yoga, além destes ganhos, a respiração tem uma importância mais profunda e sensível: ela nos conecta com prana– a energia vital que sustenta a vida.

Pranayama não é somente uma prática respiratória, onde manipulamos o ar oxigenando as células, mas sobretudo, uma prática que expande e controla o prana nos múltiplos canais energéticos existentes em nosso corpo. Esta prática, atualmente “popular” entre terapeutas holísticos, é conhecida como tradicional e espiritual entre os iogues pois tem a capacidade de aumentar o nível de consciencia.

Segundo a filosofia do yoga, pranayama não se destina a praticantes iniciantes. É indicado que a prática seja feita pela instrução de um professor experiente após a prática postural (asanas). O segundo capítulo da escritura Hatha Yoga Pradipika elucida o pranayama. Os três primeiros versos dizem: “Bem estabelecido na prática de asanas, com seus sentidos sob controle, o yogin deve praticar pranayama conforme ensinado por seu guru, observando uma dieta moderada e nutritiva. Quando a respiração é irregular, a mente oscila, quando a respiração é estável, a mente idem”. 

Na prática postural de Yoga, quando esticamos o corpo não estamos somente alongando as fibras musculares e articulares, mas também desobstruindo os canais energéticos (nadis) por onde a energia vital percorre. É uma preparação importantíssima para que o prana circule de forma mais livre pois, energia estagnada e retida pode promover tensões, dores constantes e consequentemente doenças.

Além dos hindus, a energia vital também é tida como fundamental e espiritual em outras civilizações antigas. Os chineses a chamam de qi, os japoneses de ki e na Grécia Antiga é reconhecida como pneuma. Cada cultura descreve esta força vital de forma distinta, mas todas reconhecem sua grande conexão com a vida e utilidade para a saúde integrada.

Um estilo de vida em yoga faz com que valorizemos a captação do prana, não só na prática no tapetinho mas também na vida. Uma vida desperta inclui a energia vital nos hábitos diários. Segundo a tradição, altos índices de prana também podem estar em uma alimentação balanceada que venha da terra (orgânica), no estourar das ondas do mar e de cachoeiras, em matas fechadas e em relações saudáveis e altruístas. 

Ao praticar yoga, lembre-se que o intuito principal não é fazer a postura mais difícil e sim aumentar o nível de energia vital. Sentir-se mais leve, energizado, sem dores constantes, com vitalidade, focado, conectado com a vida e consciente. É mais simples e totalmente essencial na caminhada do autoconhecimento e da cura.

Texto: Renata Meire